Sabático – Você já teve o seu?

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divulgaçãoA palavra sabático vem do hebraico shabat e marca o dia de descanso semanal dos judeus. Nos dias atuais, é conhecido como o período em que o profissional se afasta temporariamente da sua rotina para um período de auto-conhecimento e reflexão.

O período sabático não deve ser confundido com férias, pois não se trata de puro descanso, mas sim, de um momento no qual a pessoa usufruirá para cumprir um projeto, um sonho. Pode ser um trabalho voluntário num país pobre, estudar outro idioma fora do Brasil, ou mesmo ficar por aqui e cuidar da família ou aprofundar os estudos de um hobby, por exemplo.

Muitas vezes, temos a sensação de que simplesmente estamos deixando a vida nos levar: terminamos a escola, fomos para a faculdade, arranjamos emprego, alguns já casaram e tiveram filhos, mas ainda temos a sensação de que falta fazer algo em nossa vida.

Alguns executivos, aproveitando os períodos sabáticos que tiveram, escreveram livros sobre o assunto e podem ser fontes de inspiração para quem está pensando em dar um tempo na correria do dia-a-dia e por os pensamentos em ordem (Sabático, um Tempo para Crescer, de Herbert Steinberg, Ed. Gente e A Essencial Arte de Parar, de David Kundtz, Ed. Sextante).

Infelizmente, no Brasil ainda é rara a empresa que oferece a oportunidade do funcionário tirar esse período, seja remuneradamente ou não, ao contrário dos Estados Unidos, onde cerca de 20% das empresas garante esse direito ao funcionário. Por isso, quem se propõe a tirar um período sabático tem que se preparar financeiramente para sustentar-se enquanto desfruta desse momento. Mas muitas vezes, esse perrengue financeiro faz parte da própria experiência.

divulgaçãoO meu sabático aconteceu em 2008, aos 27 anos (coincidência ou não, é a fase em que os astrólogos dizem que é o retorno de saturno), quando decidi ir para a Nova Zelândia. Saí do escritório em que trabalhava e busquei um sonho que tinha desde a adolescência: fazer intercâmbio.

Por lá, fiquei três meses apenas estudando inglês, passeando, conhecendo pessoas novas e, principalmente, me conhecendo. Esse período foi muito diferente da minha rotina estressante dentro de um escritório de advocacia e pude perceber quais eram meus valores e o que era importante para mim. Muitas vezes, essas descobertas foram dolorosas, afinal de contas, enxergar seus defeitos e fraquezas não é fácil.

Para quem me pergunta, digo que é uma experiência inesquecível e muito gratificante, recomendo a quem puder – e tiver coragem – que tire esse período para si e olhe para o mundo com outros olhos.

E se me perguntarem, também, digo que faria (e farei) tudo de novo.

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