Racismo

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Que a semana não tenha passado em branco

A ideia de que algumas “raças” seriam superiores a outras já levou a grandes desastres ao longo da história, como a escravatura e o holocausto. Hoje o preconceito esconde-se sutilmente nas atitudes e crenças das pessoas, nas propagandas e ideais passados pela mídia, nas brincadeiras e piadas, na socialização como um todo. Pesquisas ao redor do mundo têm registrado a redução do preconceito explícito, mas o aumento de sua forma mais sutil.

A população negra é alvo de um estigma socialmente construído ao longo dos anos. O racismo é socialmente condenado, mas continua a ser praticado. As pessoas reconhecem a existência do racismo, mas ninguém se considera racista. É preciso que esse preconceito seja identificado nas suas mais diversas e sutis manifestações para que ele possa realmente ser combatido.

Numa tese de doutorado apresentada à USP, Sylvia Nunes, enfocando o racismo, constatou que os homens são mais preconceituosos do que as mulheres. Preconceito, segundo ela, é a negação do que o sujeito é e a exaltação de uma característica do grupo a que ele pertence, abstraída de seu contexto histórico. Sua origem é o fechamento à experiência do encontro com o sujeito atual e a ausência de reflexão. Sua função é justificar as desigualdades sociais.
A maioria das pessoas pobres no Brasil é negra. Isso é resultado de séculos de injustiças sociais, desde a escravatura até a tentativa de branqueamento da sociedade e o preconceito. Na maioria dos países a situação é semelhante. Hoje vemos jovens rapazes pobres e negros morrendo aos montes com a violência da cidade de Salvador. Este é mais um pequeno lembrete de que não existe democracia racial no Brasil, mas sim desigualdade.
O dia da consciência negra (ou dia de Zumbi dos Palmares) foi celebrado no dia 20, mas toda a semana é dedicada ao assunto.

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