Espelho, espelho meu!

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Padrão de beleza

Agulhas fininhas enfiadas na pele e dor, muita, muita dor. Isso foi o que senti quando resolvi fazer a primeira sessão de carboxiterapia. Por que optei por isso? Primeiro porque, na época, eu estava, vergonhosamente, há seis meses sem malhar e a técnica oferece quase que um milagre: combate celulite, estrias, flacidez, gordura localizada, entre outras cositas másSegundo porque as ofertas dos sites de compras coletivas são tão tentadoras, que acabei sendo sucumbida pela vontade de experimentar.

Assim como eu, acredito que várias de vocês também já optaram por métodos dolorosos para perder uns quilinhos, mudar o visual, enfim, ficar mais bonita. Na verdade, fazemos isso constantemente. É depilação, sobrancelha, é aquele “bife” tirado da unha, o estica e puxa de cabelo… E tudo isso para quê?

botoxOk. É indiscutível que todas nós queremos olhar no espelho e nos sentir maravilhosas. Mas, a grande questão é que essa nossa vontade tem sido fortemente influenciada por uma ditadura cruel, que exclui e oprime as que não estão e/ou, simplesmente, não querem fazer parte dela.

Na televisão, todo aquele padrão estético Global. Nas revistas e peças publicitárias, perfeição, perfeição e perfeição. Rostos sem manchas ou rugas, corpos, literalmente, esculpidos e, claro, muito, mais muito retoque – que às vezes desaparece com um umbigo aqui, some com uma perna ali, coisa pouca, não é?

Prova disso foi a proibição, pelo Reino Unido, de anúncios de bases para o rosto das marcas Lancôme e Maybelline com a atriz Julia Roberts e a modelo Christy Turlington. A agência reguladora da publicidade no país alegou que os anúncios podiam enganar o público sobre o efeito real dos produtos, já que neles continham “correções digitais”.

Tudo demais, pelo visto, é sobra! Retoques excessivos, não só tiram a naturalidade, como acabam fazendo com que nós, reles mortais, nos sintamos ainda mais imperfeitas e busquemos, a todo custo, atingir os padrões de beleza ditados.

Ditadura da belezaSobre essa busca desenfreada pela perfeição, o especialista em cirurgia plástica, Jorge Antônio de Menezes alerta quanto às consequências dos excessos.

“O que se percebe é que muitos buscam a todo custo atingir padrões que muitas vezes não condizem com seu biótipo, abusando das dietas milagrosas, das fórmulas mágicas de remédios para emagrecimento e do excesso de exercícios físicos”, diz.

“Em um determinado momento os excessos poderão ter uma consequência danosa ao organismo, levando a uma desnutrição silenciosa ou a uma fadiga crônica, prejudicando a vida profissional ou pessoal do indivíduo”, conclui.

É difícil pensar que mesmo depois de tantas conquistas, nós, mulheres modernas, ainda nos submetemos a algo. Porque, de fato, é uma submissão. Claro que há exceções, mas, a maioria se sente obrigada a seguir o padrão.

Ditadura da belezaE por falar em exceção, ainda bem que elas existem. E o melhor, não são mulheres descuidadas, que não ligam para a aparência. Ao contrário. São como todas as outras, vão ao salão e à academia. A diferença é que essas mulheres aprenderam a não se submeter à ditadura da beleza e a valorizar suas individualidades.

“Acho muito caricaturado essas mulheres que ficam perseguindo esse tal padrão de mulher magra, alta, sarada, de cabelo escorrido. Vale muito mais a pena saber valorizar, com uma roupa ou maquiagem, nossos atributos”, defende a advogada Natália Borges.

Leia também: Mulher feia, homem bonito

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